Cultura
Cultura - Prêmio Montblanc

Iniciada com uma cerimônia realizada na Espanha no último dia 4 de maio, em Madri, a 26ª edição do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage já tem data marcada para ser apresentada no Brasil. O evento será sediado em São Paulo na noite de 10 de outubro, em encontro exclusivo para convidados na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Presente em 17 países, a premiação, que apoia iniciativas de mecenato cultural, terá como concorrentes o Instituto Criar de Cinema, TV e Novas Mídias, criado pelo apresentador Luciano Huck e sediado em São Paulo; a também paulistana Associação Cultural Videobrasil, instituição que, idealizada e dirigida pela curadora Solange Farkas, realiza a cada dois anos, em parceria com o Sesc, o festival homônimo; e o Instituto Ricardo Brennand, museu, dedicado às artes visuais e ao colecionismo de objetos históricos, dirigido pelo empresário e colecionador recifense Ricardo Brennand. Ao vencedor, a Fundação Cultural Montblanc reservará um aporte financeiro de 15 mil euros para o desenvolvimento de novos projetos.
Além da quantia, o vencedor também receberá um exclusivo instrumento de escrita da série Patronos da Arte. Especialmente desenvolvida para o prêmio, a coleção tem tiragem limitada e presta homenagem a importantes mecenas da história da arte. Neste ano, a peça criada pelos artesãos da maison Montblanc, sediada em Hamburgo, na Alemanha, presta homenagem ao cardeal Scipione Borghese (1577 -1633). Considerado um dos maiores patronos e colecionadores da arte europeia e da arte barroca durante o século XVII, Borghese apoiou artistas como Caravaggio e Gian Lorenzo Bernini.
Os representantes brasileiros no júri internacional – composto por 51 personalidades dos 17 países que sediam a premiação, e que avaliaram todos os projetos – foram Paula Alzugaray, crítica de arte, curadora e diretora de redação da revista seLecT; Luciano Cury, diretor de Conteúdo do canal de TV Arte 1; e André Sturm, cineasta, ativista cultural e atual secretário municipal de Cultura em São Paulo. Além dos jurados e dos indicados ao prêmio, a cerimônia de entrega contará ainda com a presença de Alain Dos Santos, Manager Director Montblanc Brasil, e de Till Fellrath e Sam Bardaouil, curadores e diretores da Fundação Cultural Montblanc.
Curatorium
Na ocasião do lançamento da 26ª edição do prêmio, em Madri, foi anunciada uma novidade: o recém-criado Curatorium, conselho curatorial da Fundação Montblanc, formado por: Anne Barlow, diretora artística da galeria britânica Tate St. Ives; Sunjung Kim, diretor do Art Sonje Center, na Coréia do Sul; Jean de Loisy, presidente do Palais de Tokyo, na França; Franklin Sirmans, diretor do Pérez Art Museum Miami, nos Estados Unidos; e Jochen Volz, diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e curador da mais recente edição da Bienal de São Paulo.
Ao comentar a criação do conselho, Baraouil e Fellrath enfatizaram que cada membro do Curatorium tem ricas experiências de trabalhos, em estreita colaboração com artistas e patronos de arte. Nicolas Baretzki, CEO da Montblanc, também deu boas-vindas aos integrantes do Curatorium. “Sua rede de contatos de longo alcance da comunidade artística global fortalecerá as ambições da fundação de dar suporte a artistas de diversas regiões do mundo”, reiterou.
A cerimônia brasileira do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage, contará com a colaboração da revista ARTE!Brasileiros na produção do conteúdo de comunicação do evento.
Leia a seguir, depoimentos dos três indicados sobre seus projetos.
Instituto Criar, por Luciano Huck
“O Instituto Criar nasce há 14 anos, de uma vontade de começar a devolver para a sociedade um pouco do que eu tinha construído. Depois de muito pesquisar o terceiro setor, a conclusão é que eu devia atuar gerando mão de obra para a indústria que eu atuo, que é a indústria do audiovisual e que vinha numa crescente transformação há 14 anos, com maiores possibilidades de distribuição de conteúdo, com o barateamento dos equipamentos. O Criar nasce com esse intuito, como um centro de formação, de estudos, para formar mão de obra para a indústria do audiovisual, mas é muito mais do que isso. Virou um lugar de referência de formação de cidadania, de reflexões sobre a sociedade, para que as pessoas nas periferias de São Paulo possam ter seu próprio ponto de vista, usando o audiovisual como uma ferramenta poderosa para todos esses pilares que eu coloquei. Nesses 14 anos, formamos mais de dois mil jovens, entre meninos e meninas. Um número que eu gosto muito: mais de 80% deles estão hoje empregados no mercado formal do audiovisual. Ou seja, a gente está de fato formando mão de obra e dando oportunidades e formando cidadãos mais atuantes, com ponto de vista e com uma voz mais potente.”
Instituto Ricardo Brennand, por Ricardo Brennand
“A ideia do Instituto Ricardo Brennand nasceu do meu tio, Ricardo. Com ele criei gosto e comecei a juntar boa parte do que está aqui, até que cheguei a um ponto onde tudo já não cabia na minha casa e tive que arranjar um local. Foi então que começamos a desenhar esse instituto que, hoje, é considerado pelo Trip Advisor como um dos maiores museus do mundo, mas é uma instituição simples, modesta e que preenche todas as funções de armazenar tudo o que está aqui. Já andei o mundo inteiro e consegui comprar e trazer muito do que está aqui. Alguns ítens são únicos, como, por exemplo, a coleção de Frans Post, um célebre artista que veio ao Recife com Mauricio de Nassar e aqui pintou 160 quadros, dos quais cem estão em museus, 60 em coleções particulares. Desses 60, 20 estão aqui. Temos também, Canaletto, um grande pintor italiano, e os dois os únicos quadros dele existentes no Brasil. Nenhum museu do Brasil, nem o Masp, tem quadros de Canaletto. Mas o que mais me encanta e o que mais encanta as crianças é a coleção de armas e armaduras usadas por cavaleiros medievais. Eles ficam loucos.”
Associação Cultural Videobrasil, por Solange Farkas
“O Festival Videobrasil foi criado há 34 anos, em um momento politicamente delicado do País – quase tão delicado quanto hoje, infelizmente –, como um lugar de resistência, de apostar num futuro melhor para o Brasil. Coincidentemente, o vídeo surge nesse momento, do final da ditadura militar no País, como uma ferramenta nova, que, para aquele momento político, tinha a potência de um instrumento de dar voz ao outro. Hoje, temos por volta de 30 instituições parceiras ao redor do mundo, principalmente nesse lugar que a gente entende como Sul Geopolítico; países da África, do Oriente Médio, da América Latina e do Caribe, acima de tudo, que trabalham em parceria com o Videobrasil, permitindo um trânsito de artistas que se apoiam mutuamente. Essa rede é também um modo de mapear as produções, identificá-las e fazer trocas. Uma coisa que eu definitivamente acredito na importância são essas pequenas instituições, que estão em países com situações ainda mais difíceis que a do Brasil. Elas precisam acreditar e estimular sua própria existência para tentar mudar o estado das coisas nesses lugares. Acreditamos também que, trabalhando em parceria com essas instituições, elas possam estimular a produção dos artistas locais. Isso para mim é um resultado que a gente sabe que deu e sempre dará certo. Acreditar também é ajudar.”
MAIS
Veja uma galeria de fotos da cerimônia de abertura da edição 2017 do Prêmio Montblanc de la Cultura Arts Patronage, realizada em Madri, na Espanha, em maio último.